quarta-feira, 25 de março de 2009

sorriso aberto

Sincero na alardeada noite
Primado de seu abraço
Espantado pela solidão
Está certo que não vejo o tempo
com a calmaria louca a espera de uma ação

pois o tempo, no seu intento intespestivo
Está no olho do furacão
A espera da tempestade
Semente de desamor apagado
No silêncio do tempo
No pasmado
instado.

Cabelos aos ombros, lisos caídos, a boca que delicioso
beijo a pele morena.
O perfume das rosas
caliente.
Qual fogo que queima
sem deixar resquícios

de voltas e enleios
Em encantos que se encontram
em seus meneios
Na paixão incerta, provocada pelos seus enleios.

No passado e no tempo
que juntos estivemos
contando tantos dias juntos
em vários mundos
buscado pelos "insights" de nossos pensamentos.
Buscamos momentos lisongeiros...

Históriografia brasileira, século XIX.

Disciplina: Historiografia

Professor: Adalson Nascimento.

Aluno Geraldo Henrique de Mesquita.

7º Período do curso.

Percebemos claramente que a historigrafia brasileira teve inicio no século XIX, com autores como Rugendas, Franscisco Adolfo Varhagen, Von Martius e outros. A abertura do Brasil a outras nações principalmente a Inglaterra e a França, pois vemos que esses autores têm origem ou influencia européia. A temática buscada por esses autores é a formação da nação e da nacionalidade. O Brasil nesse período busca um modelo. E o modelo apresentado é o modelo europeu arraigado em preconceitos e olhares estranhos. Vê-se claramente a influencia das teorias históricas que surgem neste momento, tais como o positivismo de autores alemães e outros que demonstram que a história é feita pelos grandes homens, pelos grandes personagens.

No Brasil, na construção da historiográfica elegeu-se a elencação de personagens cujos papéis eram diferentes. No caso brasileiro a matriz européia era a matriz civilizatória, que deveriam dar um controle a barbárie. Os outros personagens o índio e o negro são relegados a papéis menos importantes. Chega a se falar que eles tiveram papéis secundários servindo como mão de obra, e necessitando de tutela. Nos textos historiográficos se percebe claramente que o europeu era tido como elemento catalisador promotor do processo civilizador e modernizador da sociedade. Os temas colocados nos textos destes primeiros escritores da história nacional brasileira demonstravam preocupação com a miscigenação do povo brasileiro pois entendiam que o que atrapalhava o desenvolvimento da nação era esse excesso de miscigenação, por isso os adeptos das teorias eugenistas européias entendiam que era preciso “Branquear” a população. Percebia que o negro era um elemento degenerativo tido como preguiçoso impossibilitado de tomar conta de seu próprio destino precisando da tutela branca de matriz européia. Quanto ao índio a visão não era muito diferente. Ele não era visto como incapaz, selvagem, rude, sem religião e não civilizado, portanto não encaixava dentro do projeto civilizador europeu. O modelo para essa sociedade civilizada deveria ser transplantado das nações tidas como as mais civilizadas da Europa diretamente para o Brasil. Pensava-se que era possível tornar o Brasil como países europeus, entendendo-se que o remédio para os males sociais brasileiros seria aplicar soluções européias para a nação que se estava formando.

Respondendo a pergunta inicial que me parece ser o eixo de toda essa problemática da historiografia no século XIX, que aliás ali estava nascendo. Os temas e propósitos da historiografia brasileira nasceram no século XIX. A centralização do poder na mão de um monarca a partir de 1808 foi determinante para a criação do sentimento de pertencimento e de aglutinação populacional em torno do sentimento de nacionalidade.

Uma história nacional se pressupõe um passado comum, heróis, datas, personagens, conjunturas, políticas, econômicas, sociais, culturais, políticas, etc que são criados ao longo do tempo. Os textos de autores diversos como os citados por LISBOA e MOTA sem dúvidas são fundamentais para se entender isso. Eles mostram o interesse destes autores para a criação da história nacional. O que nos interessa analisar e o modelo escolhido pelo principais autores ( que nem sempre tiveram a preocupação de escrever história) que fazem parte dessa historiografia nascente.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Mulher em segunda pele

De se passar
Sem pesar
Olhar lisonjeiro
De pasmar
e de olhar
Qual anjo fosse
Pobre alma
De grandes asas
De amores e lugares que não se tem alhures
De algozes, piores.
Quem quereria ter
Um sonho em belo corpo de mulher
Mulher em segunda pele
De ouvir e de dizer
No prazer, sem lisonja
De quem afronta o tempo
De quem trata o tempo
Com todo o tempo que o tempo tem
de amores, de sabores, dissabores,
de par em para, ímpar
sem fissuras, sem ranhuras
imagem ideal, "new deal"
novo, ovo, "ab ovo".
Que busca na vida o que na vida se dá
pouco se me dá
O que lhe trouxe o mundo
um mundo, imundo
Banhado em sangue e em morte,
Um mundo distante, errante
vagando pelo mar, senhorado
Pelas augúrias, discrepantes, periclitantes de supremas desventuras.
Quando me lanço nesse olhar,
sem olhar, nessa boca de desejo,
Nesse mar infindável, insondável, insaciável, precário, de amor, ternura e sonho, não sei dizer o que quer dizer no meu coração, qual canção e oração de paz.
Se te vejo, vejo o ensejo de amor e pejo, se tocos seus lábios com a minha boca, se se passa-se o tempo, tempo nenhum indubitável, inefável, inconstestável, não vejo o tempo, no seu intento fortuito da loucura do instante,onde se derrama, se aclama, beijo, reclama o maior amor maior que não há em lugar nenhum em nenhum lugar, dissipa-se, passa-se por lamúrias....

Seu Olhar

De contas
Sem contas
Enquanto o tempo não passa
Conto nos dedos, entrededos, entretendo
Quando não entendo o intento
Das contendas de emendas
De prendas, rendas em sendeiros
Incendiados
Assim é seu olhar
Assim mesmo assim
Quando a vejo passar devagar, a vagar de vagar, em ondas, de seus encantos
No manto insano, quando não rola o pranto, cheio de enquantos e encantos, esparge luz, seduz,
induz, em mundo de lugares, em luares, mesmo assim.
Não passa, enquanto não passas, o tempo.
Não rende enquanto não prendes no seu olhar, nesse mar, de amor, calor, palor.
Potestade, majestade, glamour e luz

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Links para o CPDOC

Este link é para você entrar na página onde pode ser visualisada a revista Estudos Históricos, publicada pela Fundação Getúlio Vargas.
Entre lá. Você encontrará materiais interessantes para ler, conhecer e estudar.

Link onde você pode baixar livros, músicas, fotos, imagens, etc

Neste site você encontrará vários arquivos guardados na internet onde há a possibilidade de baixá-los para o seu computador.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

8 de fevereiro de 2009

Estamos iniciando mais um ano letivo, por assim dizer com esperanças de atividades diferentes, satisfação de nossos anseios. Da minha parte eu espero que este ano seja diferente ao menos quanto a blog que raramente tenho postado.
Agora com a internet mais acessível para mim, espero poder colocar neste blog informações utéis para todas as pessoas que gostem de História e de Educação em geral, com links interessantes e matérias de minha autoria ou encontrada na net, com a devida citação das fontes, com preocupação e esmero com a verdade e com a credibilidade.
Vocês encontraram poesias, artigos, mapas, documentos, links, informações relacionadas a área e assuntos postados neste blog.
Não deixem de acessar e de adicionar aos favoritos no navegador de internet de seus computadores.
Um abraço a todos.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O pássaro

O pássaro

Eu estava cá quieto no meu galho, quando ouvi farfalhar de folhas na floresta. Eu pensei que fosse um animal de grande porte como um leão ou uma girafa. Mas qual nada, era um lobo de pele escura, pra lá da meia-idade, um lobo bem grande, um lobo faminto, desses que poderia devorar um ser humano de uma vez só. Parecia estar com muita fome mesmo. Pois podia se ouvir os roncos roucos de sua enorme barriga. Eu cá no meu galho de jatobá, tremi de medo, só me aliviei um pouco, ao pensar que os passarinhos não fazem parte do cardápio de um lobo... Só se estivesse muito faminto. Mas não tinha o que temer, estava protegida pelas folhas e galhos da árvore, que se erguia majestosa na floresta.
Aquele lobo conhecia bem a floresta a minha volta, cada árvore, cada trilho de estrada, os caminhos e os atalhos. Eu fiquei a observá-lo do alto do galho, percebendo que ele tramava alguma coisa, logicamente para acabar com sua fome. Ele foi andando pelos caminhos da floresta para chegar mais perto da casa dos lenhadores, onde lograva pensar arranjar algo para encher sua barriga. Eu pensei comigo: ”um lobo com fome é capaz de tramar muitas coisas para comer alguma coisa.”.
O lobo foi andando e parou perto de uma pequena árvore grossa e se escondeu atrás dela, logo que viu uma pequena menina, por volta de uns oito anos, com um gorrinho vermelho na cabeça. A menina ia alegre a cantarolar, uma música, que não entendi bem o que era. Só vi e ouvi direito quando estava menina chegou perto de encruzilhada que passava onde a floresta é mais densa. A menina parou na encruzilhada e se pôs a olhar de um lado para outro como alguém que não sabia direito qual caminho tomar para ir adiante se o da direita ou da esquerda. O lobo logo percebeu e escondido suavizando um pouco a sua voz que lhe aconselhar e gritou lá detrás da árvore:
__ Tome o caminho da direita, é o mais curto e te leva bem rápido para a casa de seus amigos!
__ Minha, mãe me disse para não seguir o conselho de estranhos e sempre tomasse o caminho mais limpo, não parasse no caminho para conversar com nenhum estranho, levasse bem depressa esses docinhos para a minha adorada vovó, que vive sozinha em sua casinha no meio da floresta. Ela me disse também que nesta floresta tem um lobo muito mau que roubam as criancinhas para fazer mingau!
A menina continuou pelo caminho mais limpo para ir à casa de sua vovó. Mais limpo, mas com certeza o mais longo. O lobo se mostrar se embrenhou numa velocidade espantosa correndo pelo atalho e não pude entender de imediato o que ele intentava. Mas a curiosidade que sempre me leva a lugares que nem me imagino, fez com que eu o acompanhasse de longe, voando de galho em galho. Ele correu muito e chegou numa casinha pequena coberta de sapé, numa clareira da floresta. E cheio de manhã arremedou uma voz infantil e pôs-se a chamar:
__ Vovozinha!Vovozinha querida! Venha abrir a porta para a sua netinha que lhe traz deliciosos docinhos!
A velha que parecia que não enxergava muito bem por causa da idade, abriu a porta devagarzinho, e nem teve tempo de correr, pois o lobo faminto pulou sobre ela e a engoliu de uma só bocada. Eu nunca havia pensado que um lobo poderia engolir uma pessoa até que visse com esses meu olhos de passarinho que isso era possível. Mas parece que não foi suficiente para ele, ele queria mais. Tanto é que o ouvi falando sozinho, com sua voz rouca e grave: “Agora só falta a meninha, com aquele lindo gorrinho vermelho. Hoje decerto poderei encher completamente a minha barriga e depois de tudo ainda dormir um bocado nesta cama, desta velha deliciosa”.
Não me conformei com o que vi, fiquei sem saber o que fazer, quis chamar os meus amigos voadores, mas pensei logo, que não resolveria nada, pois não poderia convencê-los. Todos eles tinham muito medo de lobos. E pensei logo que só poderia com esse lobo algum enorme animal ou... Um caçador. Mas onde haveria um caçador que poderia salvar a menina que está inocente de tudo, se encaminhando para o seu destino fatal! Percebi que não poderia perder tempo, voaria bem alto, e olharia para baixo para ver se encontraria algum caçador... Fiquei alguns minutos voando... Vi longe uma fumaça e fui para lá. Com sorte, eram caçadores que punham água a ferver em uma panela..
Pensei em um jeito de atrai-los para a casa da vovozinha. O único jeito era cantando. Aliás, esse é o maior talento dos passarinhos cantarem, alegrar as pessoas... E então voei para uma árvore perto e comecei a entoar meu canto.
Os caçadores pareciam ter bom gosto e logo um foram falando para os outros que um passarinho com um canto maravilhoso estava pousado num galho próximo. Gritavam uns para os outros: “Olha um Uirapuru! Olha um Uirapuru!”. E iam chegando mais perto. Eu não estava gostando daquilo. Mas se a minha atitude podia salvar uma criancinha que estava prestes a ser devorada por um lobo, certamente continuaria nesse plano. Eles se puseram a me seguir, e deram dentro de poucos minutos em uma trilha que ia dar, na casa da vovozinha que fora devorada pelo lobo. Ouviram um estardalhaço que a menina fazia lá dentro correndo, passando por debaixo de mesa, cama, derrubando moveis...
Resultado os caçadores mataram o lobo a tiros, mas a vovozinha não teve mais jeito para ela. E ao contrário do que dizem por aí, morreu mesmo após ter vivido uma vida virtuosa. d dentro correndo, passando por debaixo de mesa, cama, derrubando móveis, na trilha que ia dar, na casa da vovozinha que fora devorada pelo lobo...

Vem coração

Vem coração
Entre pedras, no deserto da ilusão.
Serpente fêmea
A buscar emoção.
Eu te procuro em lugares públicos,
Mas sei que você está a salvo no meu coração.
Assim quem fala
Não muda de tom nem quando
Faz uma canção.
Se eu falo de paz
É da paz de seus braços,
Se eu quero calor,
É o calor de seu corpo.
Não sei o porquê de tanta ilusão,
Não sei por que há tanto tempo
Já teimo nessa ilusão.
Não sei por que
Você não sai do meu coração.
Você é como sangue na minha veia,
Como o mar a soçobrar e a bater
Nas rochas,
Está sempre a me tocar
Eu não sei mais o que fazer,
Nem se há alguma coisa a fazer,
Não sei se o tempo fará te esquecer.
Sei que você é muito importante para mim.
O passado não te deixa de lado e o presente não te faz ausente.

Geraldo Henrique de Mesquita.
31/12/07




Canção de paz

Eu fiz essa canção
Pra você cantar no seu violão
E lembrar que a vida passa ligeira
Minha amiga, o sonho faz parte da vida.
Com muita força de vontade seus sonhos persiga
A felicidade encontrará
A cada dia
Cada etapa de sua vida
Seja repleta de alegria

Às vezes pensamos que tudo é tão difícil
Mas basta crer.
Tudo se torna possível
É lutar e conseguir
Faça amigos por onde ir

Você já ouviu dizer
Primeiro o trabalho, depois o prazer.
Mas a vida passa
E não há quem possa dizer que não
Onde está a razão
De assim viver?
Pra que chorar
Quando se pode sorrir?
Pra que espinhos
Quando se tem a flor?
No coração vai o amor,
Na boca belas palavras por toda parte.
Bom dia! Boa tarde!
Se você que ser alguém
Diga: Bom dia! Tudo bem!

Geraldo Henrique de Mesquita
28/06/2007

Meu amor eu quero o beijo seu
Na noite fria de ilusão sem solidão
Eu quero o corpo seu
Sem pedir perdão
Eu quero o coração teu

-
As vezes eu pergunto
Se viverei sem teu amor
As vezes eu me perguntou
Quanto tempo precisará passar
Para você ver que eu te amo de verdade

--
O que vai precisar ser
O que já foi
Não poderá ser
Por mais que eu queira
Eu quero que tudo não
Perca no tempo
O frescor da novidade
O calor da ocasião

--
Vai, vai
Carinho meu
Buscar
O que a saudade levou
O que ficou
Não importa mais
Bela garota, linda moça,
Menina minha
Carinho que sobeja em abundância
Quem poderá dizer
Que eu não te amei desde a primeira vez
Que a vi
Quando eu senti
O calor do seu corpo
O pulsar de seu coração
Quem poderá dizer que a sua sedução
Não foi suficiente para fazer apaixonar meu coração
Mulher de pele morena
Voz doce e suave
O que tens a me dizer
O que podes me levar a fazer
Pela força do seu amor
Pelo calor de seu corpo
Se já não sei o que será de mim agora
Serei com o barco que não encontra o cais?
Serei como a noite que não encontra o dia?
Serei mais um apaixonado, que não sabe o que diz?

Não,
Serei eu como a vaga que alevanta o mar
Como o sereno que a noite cai
Molhando a verde relva
Serei como o abraço amigo que aquece o corpo
Serei como a chuva que molha a terra seca
Como a luz da lua que ilumina a escura estrada
Um passaporte para o infinito
Um minuto de sua vida
O minuto em que sua vida vai mudar
O aconchego da cama
O calor da comida no seu estômago
A voz que ao longe mostra o caminho
Em meio de tantas aventuras e desventuras
Serei caminho certo a seguir.
Fruta madura no pé
Amor que se pode ter fé


Que se pode querer de um amor tão distante
De uma noite que nunca chega ao fim
Como poderei dizer que te amo
Se não tenho coragem de olhar em seus olhos e dizer a verdade
Mas por amor posso fazer o possível para tornar o amor realizável
Entre nós dois
Aonde queiras que eu vá
Eu vou te buscar
O que não saberei dizer
Uma palavra de amor
Uma solução provisória
Para nosso amor
Eu quero você
E talvez tenho perdido
Muitas oportunidades
Para dizer o amor que sinto
Por você
Aqui não saberei dizer
Do tamanho de meu amor por você
Não é apenas desejo
Por uma mulher muito bonita
É muito mais do que isso
E um sonho que procuro por todas as vias tornar possível
Um sonho que a realidade tenta não realizar
Já joguei muito tempo pela janela
Já tentei, já lutei
Busco ter a melhor solução para esse amor meu
O que adianta amar uma mulher tão linda
Se não se sabe se poderei tê-la junto de mim
Para viver uma vida junto com ela
Construir um mundo só nosso
Quem poderá me dizer como fazer para que ela seja a minha mulher
Se já é meu amor
Se já é quem toma conta de meu coração
Não poderei pensar que não poderei tê-la
Eu não sei o que poderei fazer
Eu que a desejo
Eu que a amo demais
Que tenho vontade de abraçar seu corpo
Beijar seu corpo
Buscar o calor de seu corpo.

Geraldo
2007

A interiorização da métropole

A chegada da família real ao Brasil e a interiorização da Metrópole.


O período que vai de 1808, data em que chega ao Rio de Janeiro o Príncipe Regente D. João VI, até 1821, ás vésperas da proclamação da Independência por D. Pedro I, é rico para analisarmos a questão da interiorização da metrópole luso-brasileira e o abastecimento da corte carioca.
Haja vista que com a vinda de D. João VI para o Brasil que embora projeto antigo foi executado na iminência da entrada das tropas napoleônicas as cortes de Lisboa, houve um aumento expressivo na população do Rio de Janeiro e mudanças substanciais no que concerne à administração da América Portuguesa, isto é, a interiorização da metrópole. Isso se deu graças ao imenso aparato administrativo que se transferiu ao Brasil juntamente com a família real. O Brasil, a menina dos olhos do império Português, fonte de artigos de comércio, com bons portos, que hora se abria a nações amigas, por decreto de D. João VI(diga-se principalmente a Inglaterra), fortaleceu a vocação comercial, a necessidade da produção de alimentos, pessoas que servissem a D. João VI em sua administração. É de notório saber que estando cá, no Brasil, grande parte ou quase toda a parte dos funcionários reais, havendo também necessidades de fortalecer o domínio da América Portuguesa, era preciso para o bom sucesso do desenvolvimento e manutenção das forças imperiais, que se administrasse corretamente o ultramar, para não haver prejuízo e perca das riquezas do gérmen embrionário da futura nação Brasileira, que lançaria seus primeiros passos aos auspícios do governo do Imperador do Brasil, D. Pedro I.
D. João VI soube juntamente com seus ministérios criar os elementos necessários ao bom andamento da administração territorial das províncias do Brasil, concentraram no Rio de Janeiro os órgãos responsáveis pela administração, bem como nomeou governadores para as províncias, fomentou o comércio, através de leis que permitiam uma sobrevivência e expansão do comércio, do abastecimento interno, da navegação de cabotagem, que fazia as ligações porto a porto brasileiro, isto com o decreto imperial de 1815, que determinava que a navegação de cabotagem só poderia ser feita por navios ou barcos brasileiros.
O poder se estabeleceu fortemente no centro sul, nas províncias de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. O sul das Minas Gerais fornecia gêneros indispensáveis ao abastecimento da corte, bem como fazendas da região do Rio São Francisco, São Paulo e Rio Grande. Muitos foram os tropeiros que se enriqueceram com o transporte e comércio com a corte estabelecida no Rio de Janeiro, ao passo que foram feitas muitas construções, que serviram para abrigar mui confortavelmente membros da nobreza, órgãos administrativos, para auxiliar a manutenção da ordem e da justiça, como cadeias, fórum, etc. Em pouco tempo com a melhoria e os progressos contínuos, o fortalecimento do aparelho administrativo imperial, o crescimento econômico, os rendimentos provindos da cobrança de impostos superaram aos de Portugal, o que era reforçado pela presença do imperador e da corte no Brasil. O Brasil sem dúvida naquele momento dispunha de mais recursos que Portugal, tinha mais meios de se desenvolver e por isso merecia uma grande atenção do Imperador. A isso podemos chamar de interiorização da metrópole, a metrópole, estava de lei em Portugal, mas de fato estava no Brasil sua possessão ultramarina mais rica e que para completar abrigava a figura do Imperador, nobreza e seus administradores por D. João nomeados.
D. João VI usou das distribuições de mercês, da divisão de áreas territoriais em jurisdições entregues a governadores, do controle alfandegário entre outros expedientes para intensificar a presença da lei e da ordem nas províncias.
A presença da corte no centro-sul criou necessidades, possibilidades comerciais e vitais (alimentos, roupas, utensílios, etc.). O transporte fomentou o desenvolvimento brasileiro podendo-se dizer que a metrópole se entranhou pelo sertão afora controlando, gerindo, consumindo, desenvolvendo e tornando possível direta ou indiretamente todas as atividades econômicas.
As tropas da moderação, como se intitula um dos textos aqui analisados foram responsáveis pelas ligações terrestres e do abastecimento, em larga medida responsável pela interiorização da metrópole. Afinal o estado se fazia presente ora no papel de consumidor destes produtos, taxando-os, aproveitando as estradas usadas pelos tropeiros, de alguma forma mantendo alguma proteção militar que de algum modo tornasse mais tranquilo itinerário dos funcionários do governo, dos tropeiros, aventureiros, etc.
Como teria acontecido se não houvesse estes tropeiros? Se não houvesse a descoberta de ouro nas Minas Gerais? Se D. João VI não viesse se estabelecer no Rio de Janeiro com todo o seu aparato administrativo? Se não houvesse pessoas intrépidas como os paulistas que desbravaram caminhos, descobriram ouro, amansaram índios, tornaram os caminhos mais conhecidos?
Pode haver várias respostas para essa pergunta, mas podemos responder que talvez não se levasse tanto em conta o Brasil, as cortes portuguesas talvez não encontrassem tanto lucro para seus empreendimentos, idéias, projetos de expansão (tudo isso dependendo de vários “se”). Mas o fato que esses fatores que foram realidade contribuíram para a interiorização da metrópole e o interesse no Brasil.
Não se pode desprezar nessa análise o comércio, seus sujeitos como promovedores da integração da corte com o interior, como também sobremaneira responsáveis pela espraiação dos limites do Brasil. O Brasil, ou o que seria o Brasil só faz sentido com uma força e um desejo que uma os seus habitantes que só pode ser um governo central e um sentimento de pertencimento.
Pensamento análogo dirá que um órgão não sobreviverá fora do corpo, isolado, sem forças, sem energia, sem sangue, sem um conjunto que o coordene.
Os dois textos se coadunam a medida que dizem que a interiorização da metrópole só foi possível, com a abertura de estradas, o fortalecimento do comércio e os meios de subsistência, bem como a distribuição do poder, e o controle Real. O abastecimento que se desenvolveu aos poucos, contudo continuamente integrou o centro-sul e tornando-o o eixo central de todo o governo imperial donde emanavam ordens, projetos e anseios, como a conquista da Guiana, a dominação da província Cisplatina patrocinados pelo espírito empreendedor real, que embora nem tudo o que se planejou tenha dado certo não deixou de ser tentado. As riquezas do centro-sul sobrepujavam as do Nordeste brasileiro cujos engenhos, plantações e criações não conseguiam superar nem de longe o poderio econômico do sul. Adiante analisarei as questões que faziam com que o pensamento dominante destes dois polos brasileiros divergia, porque o nordeste não comungou com a idéia da independência e foi preciso luta para aceitar a independência do Brasil (seu desligamento das cortes de Lisboa). Quais os interesses que estavam por detrás disso tudo?
É certo que o centro-sul no contexto econômico se desenvolveu mais graças a proximidade com o Rio de Janeiro, se beneficiou com essas benesses. A pecuária, as plantações e a extração do ouro e dos diamantes geravam riquezas superiores a de outras províncias.
O desenvolvimento do Nordeste não era patrocinado e nem recebia as benesses desse ir e vir dos caminhos e das riquezas do centro, pelo menos não no grau elevado do centro-sul. Pelo contrário seus portos estavam ligados mais facilmente com os de Portugal, era bem mais fácil o caminho marítimo para Portugal, do que os difíceis caminhos por terra que ligavam ao Rio de Janeiro, além do mais a região nordeste contava com uma grande costa que beneficiava grandemente o comércio marítimo. A viagem para Portugal e o comercio estabelecido com os portugueses era mais vantajoso e mais fácil. Por aí se vê que o Nordeste se interessava mais em ser uma extensão ultramarina do próprio Portugal, melhor dizendo se interessava em ser co-irmão, ligado com Portugal do que se separar deste país ao invés de se estabelecer unicamente por sua conta e risco.


Geraldo Henrique de Mesquita

Poesia

Artigo
Papel e participação de Caxias, na regência e no império de D. Pedro II: A guerra e a política.

Quando se ouve falar o nome de Caxias, único Duque nativo do Brasil, que recebeu muitas honras e glórias durante a sua vida e mais ainda depois de sua morte, pensa-se em um cidadão cumpridor da lei, ordeiro, organizado, cheio de escrúpulos, num líder nato, uma pessoa acima de qualquer suspeita que conseguiu tudo o que alcançou em sua vida graças a muito trabalho, disciplina, por honra e mérito de sua bravura militar e de seu desempenho político. Argumentam muitos que Caxias era avesso a política, que dela participava unicamente por dever cívico, como bom patriota que era, que ocupava desgostosamente os cargos políticos e somente o fazia em nome do dever e de sua leal devoção a este país e a seu imperador.
Para averiguarmos a autenticidade dessas informações, e a verdade construída ao redor de sua pessoa, será preciso analisar os fatos, sua biografia, artigos escritos a respeito dele e usar de senso crítico para analisar as situações em que estivera envolvido. A história, sem dúvida nenhuma, não é um jogo de lógica, onde tudo segue um padrão, onde os fatos acontecem sucedaneamente, seguindo a um motor que governa os fatos de acordo com suas causas e conseqüências. É preciso ver, que quem escreve a história são os homens, e estes são movidos por paixões, escolhem o que escrever, o que ocultar e projetam suas opiniões em seus escritos. Daí temos que observar o contexto da obra, quem escreveu, porque escreveu, suas intenções, as informações que tinha disponível, suas fontes, o lugar social onde ocupava, etc.
O autor que escolhi ou tive a oportunidade de ler seu livro foi Affonso de Carvalho, homem que teve uma carreira militar, política e literária, tendo escrito livros sobre personagens brasileiros como Caxias e Olavo Bilac, também foi político. Viveu entre os anos de 1897 e 1953, fez muitas viagens pelo Brasil e até na Europa em plena 2ª guerra mundial. Como escritor de poesias escreveu obras que tinham o parnasianismo como modelo literário. No seu livro: “Caxias”, ele busca enaltecer e valorizar este que se tornou um grande mito e herói do Exército Brasileiro, tendo como honra de se tornar a data de seu aniversário natalício, como o dia do soldado. Affonso de Carvalho deixa seu estilo na obra que escreve: fala apaixonadamente deste personagem nacional, o mito que é sinônimo de alguém que sempre apesar de qualquer dificuldade ou imprevisto está sempre disposto a cumprir o seu dever e disciplinadamente cumprir as tarefas que lhe são incumbidas.
Caxias era filho do Brigadeiro Francisco de Lima e Silva e de D. Cândida de Oliveira Belo. Seus avô e bisavô do lado paterno eram militares, os irmãos de seu pai também eram. Caxias cresceu e viveu entre militares. Aos 5 anos de idade já era Cadete, honra a que tinha direito filhos de militares. Alguns biógrafos dizem que o seu talento de soldado era inato. Sobre isto Adriana Barreto de Souza diz[1]:
“Mas a condição para o surgimento dessa vocação inata é esquecimento da própria história. Caxias nasceu em 1803, foi um militar do século XIX e para entender sua trajetória é preciso recuperar as especificidades da carreira nessa época. Ter sido cadete aos 5 anos não era sinal de seu caráter especial. Era uma honraria a que tinham direito, por lei, os filhos de nobres ou militares, exigindo-se neste último caso que o pai fosse major da ativa ou coronel da reserva. Outros privilegiados a ela tiveram acesso inclusive com menos idade”.[2]
A partir daí podemos perceber que esses elementos familiares e também políticos ajudaram muito a Caxias em sua carreira militar e política.
Seu pai Francisco de Lima e Silva era um dos generais que comandavam as forças militares no Rio de Janeiro quando da abdicação de D. Pedro I e fora escolhido como um dos regentes da Regência Trina Provisória assim organizada por o herdeiro do trono D. Pedro II, contar com apenas 5 anos, naquele tempo. Mesma idade com que Luiz Alves de Lima e Silva, o futuro Duque de Caxias assentara praça como cadete. A sua família certamente fazia parte da elite dos oficiais do Império Brasileiro e por esse fato descontando os parentes liberais Caxias era o mais conservador de todos participando do partido conservador até o final de sua vida. Caxias galga até os mais altos postos políticos do Império Brasileiro. Foi por 2 vezes chefe do Gabinete de ministros do Império tendo a honra e a possibilidade de escolher os homens que deviam ocupar os mais altos postos políticos abaixo do Imperador. Sendo que o Imperador tinha o poder de concordar ou não com os nomes por ele escolhido. Fora senador cargo que exerceu por algum tempo lado a lado com seu pai que também fora senador, embora de partidos contrários. Foi um homem sem dúvida alguma de prestígio e capacidade organizacional. As sua redes clientelares sem margem de erro algum, ajudaram-no a se manter nos cargos que ocupou sem falar também a sua habilidade política. Seus biógrafos em sua maioria insistem na afirmação de que ele detestava a política, mas convenhamos como alguém que não gostava de política se viu a sua vida toda envolvido com ela tomando posições, ocupando cargos, usando de sua influência a favor de seu partido. Isso não pode ser desmentido, assim como, salvo os exageros, Caxias era um homem excepcional chefe militar com capacidade inegualável, comparado a grandes chefes militares de outros países em outros tempos. Ele não teve nenhum formação acadêmica militar específica para desenvolver esse talento, sua escola foi a família, seus parentes, tios, pai que os viu atuando e foram seus professores. Ele aprendeu na prática. Por ser um homem cauteloso que gostava de planejar tudo em seus mínimos detalhes, estava preocupado com as possibilidades reais de seu exército vencer nas campanhas militares das quais participou, sempre encontrou êxito nestes projetos. Ele despertou inveja, cobiça e descaso em alguns casos. Inveja do Conde D'Eu que ambicionava ser nomeado pelo imperador, seu sogro, Comandante em Chefe das forças Brasileiras no Paraguai, embora para o Conde D'Eu ainda tenha sobrado os restos da batalha: perseguir os últimos insurgentes e guerreiros, organizar as prisões e outras tarefas de menos destaque.
O Exército Brasileiro quando do Inicio da Guerra do Paraguai era totalmente desorganizado, não possuía sequer um conjunto de regras próprias a serem seguidas, era mal armado e organizado. Coube a Caxias, como grande chefe militar organizá-lo e armá-lo. Affonso de Carvalho, tenta mostrar o que Caxias fez com o exército brasileiro em termos de melhoria. Ele diz que as peste e doenças matavam mais que a bala do inimigo, que nos acampamentos militares grassava a maior falta de higiene e desorganização. Os generais e chefes militares criavam até pequenos animais como galinhas e porcos nos acampamentos. Os soldados não tinham um uniforme adequado, as montarias estavam desfalcadas da indumentária completa, faltavam ferraduras, cabeçadas, esporas, etc. Além disso o abastecimento de alimentos para a tropa era irregular. Por falta de pastagens adequadas os cavalos morriam de fome. Caxias fora rigoroso e apesar de nesta feita contar com mais de sessenta anos de idade encontrou disposição para percorrer os acampamentos cotidianamente a fim de observar se estavam sendo cumpridas as suas resoluções e aplicar as medidas necessárias e as punições que fosse preciso executar nesta grande massa que era o exército brasileiro de então.[3]
“cousas de organização, disciplina e hygiene forma os primeiros remédios aplicados pela medicina do Marquez ao saneamento geral do bizarro campo de Tuyuty.
Até chefes de alta hierarchia, cujas unidades não se apresentavam asseiadas e instruídas nas revistas iniciaes, experimentaram o reactivo de sua justiça imparcial, ao lado dos que se estimulavam, deleitosos com as recompesnas pelo dever cumprido.”
Sem dúvida as campanhas do Rio da Prata, foram as mais difíceis e as que garantiram maior honra e respeito a Caxias, que antes delas era conde e depois dela alcançou o título de Duque além disso foi uma vez mais chefe do gabinete dos ministros do Império Brasileiro. Ele lutou juntamente com o exército brasileiro em três grandes frentes uma de cada vez: Uruguai, Argentina e Paraguai. Os chefes militares do Uruguai e da Argentina que tencionavam aumentar seu poder e expandir seus domínios foram difíceis de combater. Foi preciso persistência, disciplina e perseverança além de muitas vidas humanas para serem barrados. No entanto, nem Oribe nem Rosas dá o trabalho que deu Solano Lopez notadamente pelo que significavam em seus países. Oribe e Rosas são denominados “Caudilhos”, são pequenos chefes militares que encontraram apoio em outros que comungaram de suas idéias de expansão e domínio das províncias do Prata, mas que após algum tempo até porque não tinham grandes recursos nem um exército tão grande foram sendo desbaratados pelos opositores. Além do mais a guerra que era imposta por estes dois “Caudilhos” cada um por sua vez se assemelhava a guerrilhas, a ofensivas rápidas e fulminantes. Era ataques violentos seguidos de fuga para se organizar e atacar de novo.
Já Solano Lopez por se tratar de um militar acostumado a lidar com o povo, e a ser amado, respeitado, ou temido pelo povo de seu país que sempre lhe dava soldados para compor seu exército, que por várias vezes parecia estar extirpado e se reformulava como que por milagre, graças ao gênio militar que sem dúvida este grande Caudilho possuía. No entanto esse vigor e essa afronta de Lopez ao vizinhos do Prata, não foram suficientes para sobrepujar as forças aliadas comandadas pelo Conde de Caxias que soubera organizar, administrar, motivar e mostrar o caminho da vitória aos aliados.
Se a vitória tivesse sido de Lopez com certeza o mapa das Américas poderia ser diferente e o Brasil certamente não contaria com boa parte de seu território, principalmente o extremo sul.
Na política Caxias ocupou o seu primeiro cargo politico como presidente da província do Maranhão logo após sufocar as revoltas conhecidas como “Balaiada “e “Cabanagem”. Caxias usou de estratégias militares condenadas por seus opositores como uma rede de intrigas para desorientar os revoltosos. Foi usada também outra estratégia que mais tarde também seria usada na campanha da contra a Farroupilha: Ele buscou aliados entre os revoltosos oferecendo anistia á aqueles que quisessem depor as armas e com a ajuda destes perseguiu os demais e imobilizou toda a revolta. A batalha decisiva foi na cidade de Caxias, no Maranhão, onde foi a luta decisiva contra os revoltosos. Depois de finda a campanha, Luiz Alves de Lima e Silva recebeu o título de Barão em reconhecimento aos seus trabalhos valorosos ao Brasil. Caxias era o nome da cidade do Maranhão onde se deu a luta decisiva contra os revoltosos. Ao término da campanha ele ainda ficou na região como presidente da província do Maranhão, um cargo de grande prestígio.
Outra grande campanha militar da qual Caxias participou foi a Farroupilha que durou vários anos .
Depois de finda a campanha da Farroupilha houve por bem segundo a visão dos políticos do Brasil de então, nomear Caxias presidente da província do Rio Grande.
Caxias ficou escrito na história brasileira como o grande líder das forças militares que conseguiu acabar com rebeliões e revoltas do período regencial da historia brasileira e do Império de D. Pedro II, mas seu nome foi elevado ao posto de grande herói do Exército Brasileiro somente no século XX, durante o governo de Getúlio Vargas. Anteriormente Osório tinha um maior espaço dentre as comemorações do Exército Brasileiro,mas diante da necessidade de um Estado forte, que se propunha após 1930, seu nome pareceu mais adequado ao papel de Mito e Herói Brasileiro.
O historiador Celso Furtado diz que Caxias se prestava mais a esse papel.[4]
“Após a revolução de 1930, a imagem que se evocava de Caxias passou a destacar cada vez mais sua autoridade e suas qualidades de chefe militar a serviço de um estado forte. A importância do culto a Osório foi diminuindo, até que, na década de 1940, ele foi deslocado para a posição de “Patrono da cavalaria”. Isso não ocorreu sem que surgissem discordâncias entre os próprios militares. Prevaleceu no entanto o peso da autoridade.”

Outro lado que poucos conhecem no aspecto da personalidade de Caxias, é o Caxias poeta que chegou a escrever alguns versos que dedicara a sua filha Paulita que são de bom gosto poético e apesar de estarem escritos no álbum de sua filha, Affonso de Carvalho entende que eles se referem ao antigo amor de caxias Ângela Garzón, que conhecera antes de se casar com Ana Luiza, a mãe de seus filhos. Deste casamento advém 2 filhas e um filho. O menino morre ainda em tenra idade.
Pode-se concluir que Caxias foi um grande brasileiro que soubera agarrar com unhas e dentes as oportunidades que lhe surgiram pela frente e que longe de ser alguém que não têm nenhum defeito ou falha serviu bem ao governo do país em seu tempo e a sua memória é valorizada principalmente pelo Exército Brasileiro por ser um nome que elevou e deu orgulho aos membros deste Exército trazendo a vitória nos seus empreendimentos.
Os historiadores que têm o compromisso com a verdade, devem estar acima das paixões e saber ler nas entrelinhas das biografias e histórias oficiais os fatos como foram e ouvir todas as representações que se fazem destes mesmos fatos. O fato é que a história que se sobrepõe as demais é a historia dos vencedores, aos vencidos só resta muitas das vezes lamentar e pensar nos “ses” da História.
É inconcebível que leiamos qualquer coisa sem pensar e criticar, mas é preciso entender que a historiografia segue um caminho que parece ser o que mais interessa aos ouvidos e aos olhos de quem a patrocina. Se Caxias não foi o grande mito, que tanto os livros e a historiografia oficial quer oficializar, cabe a nós investigar sem contudo esquecer da importância dos mitos para a constituição e a manutenção de uma nação.

Referências Bibliográficas:
CARVALHO, Afonso. Caxias. Rio de Janeiro. Biblioteca do Exército,1976.

FURTADO, Celso. “Culto ao Mito”. Artigo publicado na Revista História Viva de Abril de 2004, nas páginas 46 e 47.

SOUZA, Octaviano Pereira de. “História da Guerra do Paraguai” Citado por Affonso de Carvalho. Pag.. 236 do Livro “Caxias”.

SOUZA, Adriana Barreto de.“O exército na consolidação do Império: um estudo sobre a política militar conservadora”. in Revista História Viva na Edição de Setembro de 2004.

SOUZA, Adriana Barreto de. Revista História Viva, Setembro de 2004. Pag.30.“O homem por trás do monumento Duque de Caxias.”








Geraldo Henrique de Mesquita.
[1] Adriana Barreto de Souza é historiadora e autora do livro: “O exército na consolidação do Império: um estudo sobre a política militar conservadora”. O trecho foi retirado de seu artigo publicado na Revista História Viva na Edição de Setembro de 2004.
[2] “O homem por trás do monumento Duque de Caxias.” in revista História Viva, Setembro de 2004. Pag.30.

[3] Octaviano Pereira de Souza. “História da Guerra do Paraguai” Citado por Affonso de Carvalho. Pag.. 236 do Livro “Caxias”.
[4] Celso Furtado. “Culto ao Mito”. Artigo publicado na Revista História Viva de Abril de 2004, nas páginas 46 e 47.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Contestado

Você encontrará um resumo sobre a guerra do Contestado, no link acima.

Um visionário na corte de D. João V

FUNEDI/UEMG/ISED
Disciplina: História de Minas.
Professor: Leandro Pena Catão.
Aluno: Geraldo Henrique de Mesquita.
5º período do curso de História.

Resenha do Livro “Um visionário na corte de D. João V: Revolta e milenarismo nas Minas Gerais”.
Adriana Romeiro.
Ed. UFMG.
286 páginas.


Adriana Romeiro é a historiadora que provou o quanto é boa escritora e soube, graças ao seu trabalho com as fontes que se encontravam dispersas, fazer a ligação entre os fatos e traçar um perfil desse seu personagem: Pedro de Rates Henequim. Um homem que se envolveu com uma trama em que havia o milenarismo e o desejo de poder, que buscava por meio de suas redes clientelares alcançar seus objetivos. Como todo visionário ele falava muito e alardeava seu ponto de vista e opinião por toda parte.
Pedro de Rates Henequim, é o grande personagem do livro, que no século XVIII, se vê as voltas com o tribunal da Santa Inquisição, que após investigações, buscas, interpretações e averiguações encontra nele um heresiarca, que é destinado a ser queimado vivo posto que não renúncia de suas crenças e não volta atrás em suas opiniões. É queimado vivo, no fogo ardente em 1744, no Campo da lã.
A Santa Inquisição é a grande doutrinadora, ajustadora de condutas e aplicadora da justiça no campo religioso e no que se refere às heresias.
As acusações que pesam sobre Henequim são as de[1]:
“... os irmãos Santa Marta fazem um relato extremamente detalhado das proposições heréticas de Henequim. Acusam-no de defender o concubinato, a fornicação simples, o uso da cabala para a perfeita inteligência das escrituras, a existência de anjos machos e fêmeas e a provisoriedade das penas do inferno.”
Henequim tinha uma visão nada ortodoxa do mundo que o circunda e vê tudo com olhos críticos, e procura questionar o mundo a sua volta e as verdades propostas. Sua visão de mundo é fruto das mais variadas experiências e do contato com pessoas que comungavam das mais diversas opiniões e crenças espirituais. Ele era um produto bem acabado do meio em que viveu e de sua interação social, religiosa, econômica, etc.
Se analisarmos as diversas situações e pessoas com que Henequim teve contato, se observamos sua visão milenarista e revolta com o status quo do mundo em que viveu, notaremos que ele é um estudioso aberto ao diálogo, tolerante com as religiões que existem no mundo e busca encontrar nelas uma raiz comum. Isso leva-o a entender o mundo que o cerca usando de suas luzes pessoais, seus estudos e idéias compartilhadas com todos aqueles que conheceu e travou debates.
Sua crença de se estabelecer o Quinto Império do qual trata o livro bíblico do profeta Daniel o fez ver na figura do Infante D. Manuel, irmão de D. João V, o homem necessário e capaz de estabelecer nos trópicos brasileiros este tão esperado governo.
A autora traça um perfil completo a respeito de D. Manuel, este homem que provou seu valor em batalhas e esteve sempre envolto em tramas, sempre desejoso de alcançar um reino para si. Parece-nos, como coloca a autora que D. Manuel seria capaz de muitas coisas para conseguir ser rei. Henequim parece saber disso e procura por muitos meios encontrar o infante para poder mostrar a sua opinião e demonstrar a possibilidade de se estabelecer um Império firme e duradouro no Brasil.
Conhecedor da vida do Infante D. Manuel, Henequim via nele todas as características necessárias a um grande imperador.
Henequim teve contato com várias pessoas, que de uma forma ou de outra fez crescer dentro de si a certeza madura de que o mundo poderia ser diferente, que este mundo precisava ser modificado; para haver uma convivência pacifica entre os povos. Ele tinha a crença de que a volta do Messias estava próxima e que seria coroada com a chegada de um governante ideal, no paraíso terreal que era o Brasil.
O povo setecentista era crédulo, sentia-se envolvido fortemente pelo manto da religião e procurava ver, entender e resolver quase tudo por meio dela. É possível perceber no livro a supremacia européia do cristianismo sobre todas as religiões e a intolerância dos ditos cristãos aos que professavam outra fé. O judaísmo era visto com desconfiança. Havia uma distinção entre Cristão novo e Cristão velho, em Portugal, que criava e mantinha preconceitos. Quando da existência de alguma heresia que grassava por lá, acreditava-se ser os cristãos novos, que eram judeus que haviam-se convertido ao cristianismo, os principais envolvidos, os primeiros suspeitos por difundir essas crenças dentre o povo.
Henequim não era nenhum exemplo de homem bom, de conduta exemplar. O que o diferenciava de outros homens ou colocava um pouco a frente do seu tempo era a sua visão do mundo. Uma visão que se baseava na liberdade de opinião. Ele, aliás, fora acusado de abusar de uma menina de quatorze anos, cuja sogra o obriga debaixo de ordem policial a se casar. Com essa menina ele tem 2 filhos.
Henequim acreditava que o cristianismo precisava ser purificado. O judaísmo com suas festas tradições e costumes que eram mantidos intactos ao longo de toda a sua existência estava mais próximo desta religião primitiva, dos tempos iniciais do cristianismo. Acreditava que o cristianismo estava se corrompendo adotando novas práticas e a exegese sucessiva dos padres sobre a escritura contribuía muito para isso. Ele era mais ligado à ciência, a astronomia, a observação dos astros onde procurava explicações para as mudanças ocorridas no mundo. Acreditava também que Deus deixava sinais nos astros para o homem poder observar e corrigir sua conduta temporal.
Das muitas pessoas que tivera contato, ou pessoalmente, ou com sua obra, dentre eles alguns jesuítas, judeus, cristãos novos, etc. A título de exemplo, ele tinha conhecimento da obra do Padre Antonio Vieira, que, aliás, foi um padre que passou pelos tribunais da Santa Inquisição. Padre Antonio Vieira era conhecido por suas obras de conteúdo milenarista e por ver nas escrituras coisas diferentes do que a exegese dominante de sua época. Fora levado às barras do tribunal religioso da Santa Inquisição. Mas podemos claramente perceber que mesmo depois de morto, e suas obras sendo criticadas e não aceitas pela Igreja, seu pensamento continuou a circular e encontrava-se muitos que o liam e difundia as idéias presentes em sua obra.
A igreja pregada por Padre Antonio Vieira seria aquela baseada na solidariedade e no espírito de comunidade que deveria haver entre seus membros.
É certo que no Brasil, assim como também em Portugal, as crenças milenaristas, a colocação dos idílios e sonhos da Igreja (Diga-se sonhos dos visionários que viam uma situação catastrófica da fé como a disseminação do pecado e a corrupção dos costumes) colocava tudo, por difícil que se parecia, em uma situação que só um milagre poderia resolver. Esses milagres eram esperados. Havia a crença na volta tão esperada do Rei de Portugal D. Sebastião que a quase dois séculos havia desaparecido em batalha, mas no entanto apesar de tanto tempo sem qualquer notícia sua, haviam muitos que o aguardavam para tomar seu lugar ao trono. Muitos pensavam que a volta do Messias como se prega nos livros do novo testamento estava próxima, pois os sinais estavam claros.
Os judeus, muitos sobre o manto de cristãos novos esperavam a vinda do Messias pregado em seu livro sagrado, e a crença de que nem todas as profecias do antigo testamento não haviam acontecido era tido como prova da sua iminente vinda.
Henequim acredita que o Paraíso Terreal fica no Brasil e que ali era o lugar destinado a construção do Quinto Império. Ele intenta em um ato que seria considerado de “lesa majestade”, imbuir o irmão do Rei de Portugal a assumir o propósito de criar no Brasil um Império forte, destinado a ser o mais forte do mundo, onde certamente as tribos de Israel desaparecidas ou espalhadas no mundo poderiam se encontrar e ajudar na formação desse Império fadado ao sucesso. As muitas lendas, e ou fatos que não puderam ser documentados a respeito da localização de membros destas tribos ajudaram a aumentar a especulação dos visionários da época e certamente serviram de fermento para rebeliões, ou construção de teorias a respeito da vinda do Messias: como por exemplo, o sabatismo, o sebastianismo e outras.
Pode se dizer que as Minas Gerais Setecentista da época onde se descobriu o ouro e este era encontrado com abundância e facilidade, era um palco de revoltas, crimes e pensamentos que desviam do que era considerado politicamente ou religiosamente corretos dos estabelecidos e enaltecidos pela metrópole. O conde de Assumar que o diga, pois no período em que fora Governador das Minas Gerais teve que lutar contra muitas revoltas. O próprio Conde de Assumar percebia o caráter sedicioso dos habitantes das Minas. O ouro por intermédio da fortuna por ele trazido fazia com que pessoas dos mais variados níveis econômicos e sociais viessem até as Minas Gerais, na esperança de se enriquecer ou aumentar mais ainda seus cabedais. Nestas paragens vieram por os pés várias pessoas com os pensamentos mais diversos e que tiveram contato com o minerador Henequim. Essas pessoas contribuíram enormemente para a formação do Arcabouço do imaginário milenarista de Henequim.
Sem dúvida, o que o levou a fogueira da Santa Inquisição, o nosso personagem, foi as heresias por ele professadas. O fato de ele querer influir ou conspirar junto com o Infante D. Manuel, foi relegado a segundo plano mesmo porque isso não se efetivou. É claro que não seria desejável que todos soubessem que havia uma intenção de conspiração contra o rei, pois isso abriria um processo investigativo que deveria ser entregue ao braço secular da lei a fim de levantar todos os fatos e pessoas envolvidas neste propósito. Seria, portanto, melhor para a coroa portuguesa não alardear que o próprio irmão do rei era um desejoso de poder e que para isso ousava conspirar até mesmo dentro dos domínios reais. Além do mais as heresias encontradas no pensamento de Henequim eram mais que suficientes para queimá-lo na fogueira. Entregá-lo ao braço secular da lei abriria um debate, suspeitas, especulações a respeito de pessoas que ocupavam altos cargos e o resultado não seria bons para estes. O melhor que se tinha a fazer era queimá-lo como heresiarca.
Adriana Romeiro deixa nos claro que não havia um pensamento uniforme dentro da Igreja. Havia padres, religiosos e pessoas comuns que entendiam a religião de forma diferente. Nisso a Santa Inquisição parece ser um meio nem sempre eficaz para manter o pensamento dominante, considerado o correto.
Apesar de várias pessoas terem sido queimadas pelo fogo da Santa Inquisição, isso não garantiu que os que a ela escaparam mudassem seu pensamento. Só fez com que as pessoas que pensavam diferente do considerado certo tomasse mais cuidado ao emitir opinião sobre qualquer coisa.
A autora fala também da participação de Henequim na guerra dos Emboabas e sustentam que todos os emboabas, ou seja todos que não eram nativos do Brasil, estiveram envolvidos direta ou indiretamente nesta guerra, cujos os motivos era a disputa pelas minas de ouro.
Henequim é um personagem real, que nos mostra a heterogeneidade do pensamento da época e os conflitos religiosos que se propagavam em seu tempo. Ele é um fruto de seu tempo, mas que está além dele. Seu pensamento é diferenciado da grande maioria de homens de seu tempo. Ele é um homem ambicioso e que com muita coragem, mesmo diante da possibilidade de perder sua vida pelo que peso de suas opiniões nunca volta atrás no que ele diz.
Através da análise do personagem Henequim, Adriana Romeiro, busca relações com o mundo e as pessoas da época, inclusive as elites. Mostra-nos que o mundo parece pequeno quando aparece idéias ambiciosas como as deste astuto e corajoso personagem. Apesar de os meios de comunicação da época serem precários a difusão de idéias era bem rápida.

Bibliografia:
ROMEIRO, Adriana. Um visionário na corte de D. João V. Revolta e milenarismo nas Minas Gerais. Ed. UFMG.. Belo Horizonte. 2001.














Geraldo Henrique de Mesquita.
[1] Página 28. Um visionário na corte de D. João V: Revolta e milenarismo nas Minas Gerais.

Terrorismo x globalização

FUNEDI/UEMG/ISED
Disciplina: História e Etnia: Configurações do Mundo Árabe.
Professora: Flávia Lemos Mota de Azevedo.
5° Período do Curso de História.
Aluno: Geraldo Henrique de Mesquita.

Artigo:

Democracia x Terrorismo no mundo moderno globalizado.

Apresentação do Argumento do Artigo:
Meu argumento é que a democracia, fruto desejado dos governos onde há liberdade de expressão, liberdade de ir e vir, de professar uma religião, baseado no direito de ser respeitado e no dever de respeitar as pessoas; suas crenças e sua cultura; só pode ser conquistada e ou mantida onde se tem uma ética de respeito mútuo. Só há democracia onde são combatidas e anuladas todas e quaisquer lutas armadas terroristas. Onde se usa armas, pessoas, equipamentos com a função de destruir sem qualquer aviso; sem diferenciar civis de militares, inocentes de culpados não pode haver democracia.
Pretendo conceituar o que no mundo de hoje nos parece ser a democracia, diferente da democracia do período clássico grego e o que nós entendemos por terrorismo. Além disso, conceituarei o que me parece ser formas de terrorismo, os personagens do terrorismo, o ponto de vista dos terroristas, o perigo do terrorismo ser apoiado por algum Estado Nacional, bem como as possibilidades que temos para combater o terrorismo assim como os caminhos mais eficazes a serem tomados para combatê-lo. Sem, contudo, esquecer em que a globalização tem contribuído para aumentar o terrorismo e em que ela pode ajudar em seu combate.
Analisarei também a relação de poder do mundo ocidental com o oriental comparando e levantando hipóteses a respeito da importância econômica do mundo oriental, as diferenças culturais, as semelhanças comportamentais, a religião, a política, o petróleo, as relações comerciais, com o ocidente, etc.
Para escrever este artigo utilizarei do livro de Eric Hobsbawm "Globalização, Democracia e Terrorismo", do livro "Sobre o Islã. A afinidade entre Muçulmanos, judeus e Cristãos e as origens do terrorismo", de Ali Kamel, e de filmes como "Paradise Now", "Sihiana", "Fahrenheit, 11 September", etc. O artigo terá um caráter de reflexão sobre os acontecimentos contemporâneos a nossa vida e procurará expressar a minha opinião que ora concordará com autores e filmes e outras vezes irá diferir.
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Quando assistimos estarrecidos o ataque de 11 de setembro de 2001 ao World Trade Center e percebemos que sem aviso algum uma nação presupostamente democrática fora atacada, imaginamos imediatamente que mundo não estava mais seguro, pois não é preciso mais uma declaração de guerra ou algo assim para se ter uma ataque que foi denominado incontinenti “terrorista’’. A ética da guerra foi quebrada. Ficamos tentando entender o que havia ocorrido, pois a televisão com o seu grande poder de comunicação imediato nos mostrou em cores vivas uma situação incontestavelmente triste. Nós pobres mortais não podemos perceber de imediato o significado dessa ação extremamente violenta. Não que não que nunca houvesse havido outros ataques dessa natureza no longo curso da história mundial que houvesse causado tamanhos estragos. Na verdade houve outros ataques a inocentes, a civis sem qualquer aviso, que causou um estrago maior, deixou feridos, uma memória de sofrimento e dor, só que daquela feita os autores eram os Estados Unidos que desesperadamente visava por fim a uma guerra, que queria indubitavelmente mostrar seu poderio militar para o mundo, como foi o caso de Hiroshima e Nagasaki, no Japão no transcorrer da 2ª grande guerra mundial. E isso foi um ato que despertou um grande medo e horror no mundo. Os Estados Unidos naquela feita queria mostrar que era contrario a governos autoritários, e que eram a favor da democracia. Uma democracia baseada na liberdade, no voto, na livre expressão das idéias. Ironicamente defende-se a democracia com atos de autoritarismo e com absoluta falta de respeito a vida humana.
Agora depois do 11 de setembro de 2001, volta-se uma vez mais a se falar em democracia. O país que alardeia para que todos possam ouvir que é um pais democrático, um país de oportunidades, um país de direitos iguais é atacado em casa, sem poder revidar imediatamente, sem ter certeza de que o atacou. Este ataque talvez de certa forma tenha sido feito para mostrar que ninguém esta a salvo, a ponto de dizer que não pode ser atingido por nenhum outro país por se tratar da maior potência militar e nuclear do mundo.
Se rememorarmos a Grécia no Período Clássico de sua história poderemos perceber que a democracia era o governo do povo. Mas quem era o povo? Respondendo a essa pergunta digo que povo era quem tinha propriedade, quem tinha o direito ao voto, era todo o cidadão que não era filho de escravo e era filho de pai e mãe proveniente da Pólis onde habitava. Só quem tinha propriedade tinha tempo para o exercício de sua cidadania, só quem se dedicava ao ócio podia dedicar seu tempo às atividades políticas. Os cidadãos gozavam da isogoria e da isonomia. As mulheres eram consideradas entes inferiores, e os escravos passavam por um processo de coisificação: ficavam alheios a todo esse processo.
A democracia de hoje em dia é diferente, diz-se que todos são iguais, nascem iguais, tem os mesmos direitos e os mesmos deveres. Entretanto apesar do direito de voto e de opinião ser comum a todos e vivermos numa sociedade em que legalmente não há escravos. Percebemos que uns são mais iguais que os outros, que o poder econômico e político e o interesse de grandes empresários, dos grandes conglomerados, das elites, etc. é que se sobrepõem aos demais e usando da mídia convencem e fazem valer seus pontos de vista e seus interesses. Vivemos em um mundo globalizado, o mundo da informação, da informação em tempo real. A globalização tem mostrado seus efeitos grandemente no comércio internacional, rompendo barreiras legais e protecionistas. Além de trazer o novo, o inusitado para dentro da casa de cada um. Essa globalização tem atingido principalmente os países mais industrializados, com maior poder de compra. Os paises menos industrializados e não protegidos por barreiras alfandegárias ou tributações extras acabam por receber apenas produtos, valores, idéias, propagandas e toda sorte de meios de que se lançam mãos os empresários que possuem hoje um capital virtual, sem pátria, que investe em um e em outro país sem tem qualquer preocupação social ou humana com os habitantes desse “país alvo”. Assim como o capital tem se mostrado volátil e fugitivo ao menor sinal de instabilidade econômica onde é investido e têm facilidade de entrar e sair, também assim são as pessoas que conhecendo a realidade dos diversos países do mundo encontram maior facilidade para viajar, estudar e trocar experiências com pessoas dos mais variados lugares do globo. Como a informação e o capital o terrorismo e seus focos também não tem pátria, estão onde seus interesses sem encontram.
Fico observando a facilidade que encontraram os seqüestradores dos aviões da American Air Lines para entrar nos Estados Unidos. É claro que tudo foi facilitado pelo poder de organização e a grande disciplina destes terroristas e do grupo que faziam parte. Não é mais preciso ter armas, ter grandes bombas, muito material explosivo, armas químicas, é preciso antes de tudo disciplina, organização e planejamento na execução de um plano como foi provado no caso do ataque ao World Trade Center. O filme “WTC. Por trás do 11 de setembro “ mostra como pessoas comuns, nascidas em famílias ricas, cujos familiares não têm nenhum histórico de participação em guerras, ataques terroristas, não são fervorosos seguidores do Islã, tem uma vida relativamente parecida com a de muitos ocidentais ; podem se enveredar para o caminho do extremismo religioso. Não se pode culpar nenhuma religião por atos de terrorismo, pois isso não está escrito textualmente em nenhuma religião que tem um livro sagrado, é tudo questão de interpretação, é questão de filiação política[1]. E a política de nenhuma forma se desvincula da religião na visão desses “terroristas”. O povo mulçumano em sua grande maioria não é assim. Apesar de se sentir injustiçados pelas invasões de territórios que anteriormente eram sabidamente seus, não agem assim desta forma que nós ocidentais pensamos ser um total desrespeito a vida humana. Nós ocidentais nos queixamos dos outros os “orientais” dizendo que não respeitam a democracia, mas devemos ver que pelo menos respeitam um pouco mais a vida humana. Os massacres feitos por extremistas islâmicos, apesar de terríveis não alcançaram o enorme grau de crueldade ocidental.

A democracia, não parece elemento suficiente para a manutenção ou deposição de algum governo. O respeito à vida deveria ser além da democracia outro item a ser observado. O fato é que em nome de uma democracia, em nome de se dar o direito a uma população de um determinado país, se manda tropas para lá, se derruba seus governantes, destrói-se pontes estradas, afugenta seu povo, invade casas, se prende e ou mata pessoas, e toma-se conta da economia daquele país fazendo acordo comerciais, estabelece-se indústrias estrangeiras que a pretexto de ajudarem estruturar o país cujos líderes foram derrotados e seus simpatizantes e colaboradores destituídos de poder. Acabam por sugar as riquezas e os recursos naturais daqueles países. Em nome da democracia insisti-se a dar guerra a países que não tem como agredir ou interferir no interesses dos “invasores”.
O terrorismo tem servido de desculpa para essas invasões e se procura por todos os lados indícios que este ou aquele país esteja colaborando com grupos extremistas religiosos, produzidos bombas, artefatos ou qualquer outro projeto ofensivo que possa atentar contra a democracia. Noutros tempos se combatiam em nome de Deus, em nome da fé católica, em nome de crenças, onde se pensava que uma cultura era superior à outra. Vimos que se observarmos isto pouca coisa mudou. Continua-se a serem praticados atos de extrema violência de parte a parte do globo. Isso nos faz pensar o que é o terrorismo. Se as pessoas, se os países que dizem combater pela democracia não são tanto ou mais terroristas que os tachados terroristas.
Mas o que é terrorismo? Para grupos como o Al Qaeda, parece ser uma forma de tentar desmoralizar o inimigo e mostrar ao mundo a sua opinião sobre o que pensa a respeito da intromissão de países como os Estados Unidos da América, no Oriente Médio, [2]patrocinando e legitimando um Estado judeu criado graças às forças militares primeiramente da Inglaterra e posteriormente passado seu controle aos Estados Unidos da América. Já que não possuem contingente humano suficiente para poderem armar e constituir um exército poderoso, doutrinam jovens mulçumanos e os prepara para executar perigosos atos de destruição. A ideologia destes “Terroristas” é a religião, é a interpretação que fazem do Alcorão, e a crença que os Mulçumanos têm que são um povo escolhido, um povo dever seguir Alá, um povo que deve pregar e fazer a guerra santa expulsando todos que não a professem dos lugares que julgam ter direito a eles, a terra que julgam ser só deles. Como no século XII e XIII o ocidente promoveu a cruzada com o objetivo de colocar na mão dos Cristãos a terra santa, sem falar dos motivos econômicos que não podem ser desprezados; com argumento semelhante estes extremistas religiosos também querem administrar o Oriente Médio, sem interferência de estrangeiros ou de quaisquer outras pessoas que professem fé diferente da Islâmica. Esses extremistas são minoria, mas fazem um barulho e um estrago muito grande.
Desde que houve o ataque ao World Trade Center, o mundo viu realmente o que são capazes e o poder de fogo que possuem, ou melhor, não possuem muito poder de fogo, mas graças a sua inteligência e persistência podem tomar armas das mãos de inimigos e usarem nesta empreitada.
A guerra nunca é boa à medida que mata pessoas, destrói países, desestrutura sociedades. Entretanto parece necessária quando um país agride os direitos humanos, quando são mortas pessoas por nada, pessoas inocentes. Parece necessária e até pode ser aceita quando não há nenhuma outra possibilidade de acordo, quando falhada todas as medidas adotadas para restabelecer direitos humanos básicos como a vida e a liberdade. Ninguém tem o direito de tirar a vida de outro, de cercear a liberdade de alguém em seu proveito principalmente quando são pessoas que não prejudicam a ninguém. No caso do Iraque podemos perceber que apesar de boatos de desrespeito a vida humana, de construção, manutenção ou possibilidade de criação de armas perigosas que afetariam aos direitos humanos mais básicos nada se confirmou.
O Presidente Bush invadiu o Iraque, usando de argumentos de que este Estado colaborava com os terroristas e podiam ou estavam construindo armas de destruição em massa, armas biológicas e até nucleares. Passada a Guerra do Iraque descobrimos que isso não é verdade e ficamos pensando qual seria o verdadeiro motivo da invasão do Iraque e porque os Estados Unidos buscava desesperadamente motivos para atacar o Iraque. É bem verdade que a importância econômica do Oriente Médio nos é muita das vezes subestimada. Não devemos esquecer que o Ocidente depende muito do petróleo extraído no Oriente Médio e que paises como, por exemplo, a Arábia Saudita tem muito dinheiro investido em paises como os Estados Unidos da América. [3]
Aqui lanço uma pergunta, será os Estados Unidos também apesar de ser uma nação que alardeia ser democrática, e que prega a luta contra o terrorismo e contra aqueles que patrocinam ou promove o terrorismo, também capaz de cometer erros e praticar atos que podem ser considerados terrorismo? O que a população, o povo, as pessoas que não participam da política, são meros expectadores como o povo inocente do Iraque pensam sobre os Estados Unidos? Em que a globalização pode ter auxiliado no combate e na difusão do Terrorismo?
Tentando responder a essas perguntas eu diria que ninguém gostaria de ver invadido seu país e que apesar de pelo menos uma parte da população se sentir feliz por ver deposto um ditador de seu cargo, gostaria de ser governada por pessoas nascidas naquele país e não ficar submetida a “proteção” de soldados de um país estranho. Essa proteção é perniciosa, pois compromete a liberdade de um povo, a sua cidadania, o direito de escolha e de ser governado por aqueles os quais foram escolhidos e por isso tem o poder de administrar o país. Só a livre escolha dá legitimidade a um governo.
A globalização contribui pela difusão de informações, de idéias, de cultura, do comercio, das barreiras alfandegárias, de acordos comerciais, da divulgação de filmes, novelas, livros, etc. Essas relações comerciais e de outras naturezas diversas podem estar contribuindo também para o estimulo a violência à medida que extremistas religiosos sentem-se invadidos, caluniados, sobrepujados pelo poder econômico, pelo mercado cultural, pelas mudanças de costumes, pelas desestruturações familiares, causadas pelas mudanças econômicas, pelas mudanças culturais e pela “invasão de valores estranhos”, por isso sentem que devem revidar que devem lutar contra o que consideram corrupção de costumes, denigrem a religião e vai contra os valores fundamentais da pessoa humana os quais julgam imprescindíveis para o bom trilhar nas veredas de suas crenças, no caminho da “religião verdadeira”. Além do mais a divulgação imediata da mídia dos atos terroristas que coloca em questão de pouco tempo nas telas do mundo tem feito esses terroristas privilegiar ataques em lugares públicos a fim de haver um maior efeito moral nas populações locais e da opinião do resto do mundo. Eles buscam visibilidade querem que o mundo saiba do que pensam e saibam que existe alguém lutando por interesses diferentes. A mídia de certa forma coloca-os em evidência, da importância real a esses ataques, faz o mundo pensar no que tem feito no que está certo e no que pode estar errado.
Um desses grupos é o de extremistas “terroristas” que visam libertar o mundo mulçumano da interferência de forças políticas externas. Parece ser um grupo armado religioso, com interesses políticos. Sobre isso Hobsbawm diz o seguinte:
“...O mais terrível dos movimentos terroristas internacionais, a Al-Qaeda, provavelmente não tinha mais do que 4 mil indivíduos nos seus dias de Afeganistão. A segunda característica (como rara exceções, como a Irlanda do Norte) era a de que seus integrantes “eram em média mais cultos e de condição social mais alta do que outros membros da comunidade á qual pertenciam”. Os candidatos a recrutas da Al-Qaeda que receberam treinamento no Afeganistão na década de 1990 eram segundo a descrição “das classes média e alta de famílias bem estruturadas”... ’’[4]
As pessoas que praticam esses atos de terrorismo pensam estar fazendo a coisa certa, estar lutando na Jihad, que são mártires guerreiros contra os infiéis, os cruzados, que querem escravizar seu povo e não aceitam a religião do outro. Eles pensam que agindo assim estão contribuindo para a difusão do Islamismo, estão combatendo o mal, que receberão uma recompensa por isso, serão recebidos por virgens no céu e estarão junto com o profeta logo após sua morte, por isso não temem a morte. Eu penso que essa crença não é só religiosa, e os interesses defendidos por esses extremistas radicais não são só religiosos, são também econômicos. Basta dizer que líderes desses grupos religiosos possuem empresas que seguem os moldes capitalistas do lucro, e que às vezes se beneficiam desses atos de violência. O que dirão os que vêem o petróleo subindo o seu preço depois do ataque de 11 de setembro de 2001, empresas que vendem armas alcançando elevação nos preços de seus artigos bélicos logo após o ataque. [5] E não são somente estes extremistas religiosos cujos lideres possuem empresas capitalistas que ganharam com isso, que ganharam com a baixa de vida humanas no World Trade Center, também ganharam a indústria da guerra, que não ganha nada com a paz, que fica esperando por haver uma “arenga” em alguma parte do globo para poder vender seus artefatos bélicos, são os empresários que montam negócios nos países invadidos com o apoio militar e a segurança dos países promotores dessas invasões. Eles adoram levar a guerra aos outros. Só não querem a guerra dentro de seus países.
Para combater o terrorismo é preciso combater suas causas que me parece ser a falta de uma efetiva política internacional que coloque em debate as grandes questões pertinentes ao mundo moderno, como tolerância religiosa, interferência política econômica em países que passaram ou estão passando por processos de libertação, de calamidade social, de severa pobreza. Além de respeitar a liberdade de expressão e de organização de todos os países do mundo. Cada país deveria ter o direito de escolher quais são os seus amigos e poder privilegiar políticas de integração regional.
Os países ricos do mundo, em geral se aproximam desses pequenos países com estrutura política e econômica fraca com o pretexto de ajudá-los, mas o que se vê é que querem conseguir vantagens políticas e econômicas com isso, muitas das vezes tomando conta de recursos naturais desses países e interferindo em sua política.
Para controlar o terrorismo mundial também é necessário criar formas estabelecidas em conjunto com todas as nações do mundo, para que não haja nenhum lugar que estes terroristas possam se esconder ou desenvolver suas atividades. Todo ou qualquer país que abrigue ou apóie grupos terroristas deve ser obrigado a prendê-los e levá-los a julgamento para que tenham uma pena estabelecida de acordo com a comunidade mundial.
A possibilidade de um Estado Nacional apoiar o terrorismo se efetivar é altamente perigosa, pois será muito mais difícil de ser combatido, reprimido e sublevado já que o terrorismo mesmo contando com grupos formados relativamente por poucas pessoas tem feito muito estrago, tanto mais estrago fará se contar com uma estrutura estatal para promover o terror.

Referencias Bibliográficas:
KAMEL, Ali. Sobre o Islã. Afinidade entre mulçumanos, judeus e cristãos e as origens do Terrorismo. Ed. Nova Fronteira. 2007
HOBSBAWM, Eric. Globalização, Democracia e Terrorismo. São Paulo, SP: Companhia das Letras. 2007
Filmes:
Paradise Now
Fahrenheit, 11 September.
Paradise Now
Sihiana
WTC. Por trás do 11 de Setembro.










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Geraldo Henrique de Mesquita.



[1] Ver Ali Kamel
[2] Sobre isso ver o filme: Sihiana.
[3] Sobre isso ver o documentário:Fahrenheit, 11 September.
[4] HOBSBAWM, Eric. Globalização, Democracia e terrorismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. Pág. 132-133
[5] Ver: Fahrenheit, 11 September.

Karl Marx

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